
Sempre que compareço a um evento e me apresento como intérprete de Língua de Sinais, percebo o estranhamento das pessoas diante da minha saudação: Muito prazer,sou a intérprete! E é com maior estranhamento ainda, que recebo os questionamentos advindos de uma sociedade que ainda não está preparada para a inclusão e para a diversidade. Por essa razão, achei propicia a oportunidade de esclarecer sobre esta área de atuação que vem conquistando visibilidade na mídia e se projetando enquanto possibilidade profissional.
O profissional interprete da Língua de Sinais é a pessoa que, sendo fluente em Língua de Sinais, também possui a capacidade de traduzir uma língua sinalizada para uma língua oral ou vice-versa.
O intérprete, possibilita a comunicação e a interação do surdo com as pessoas ouvintes que não utilizam a Língua de Sinais. Para que isto aconteça, é necessário que haja formação continuada e engajamento profissional, pautados por um compromisso ético estabelecido pelo Código de Ética do Intérprete de Língua de Sinais.
A formação para a profissionalização, ao contrário do que o senso comum divulga, requer fluência na Língua de Sinais e na língua oral, domínio das técnicas de interpretação, convívio com a comunidade surda e inserção neste grupo e além evidentemente da realização de cursos de formação em instituições sérias e reconhecidas. Mais recentemente exige-se também que o aspirante a interprete realize o exame de proficiência em tradução e interpretação de Libras-Língua Portuguesa realizado por uma banca examinadora do MEC: ProLIBRAS (Decreto nº 5.626/05)
Como já citei anteriormente, a atuação do intérprete obedece a um código de ética regido pelos princípios de honestidade, imparcialidade, fidelidade, responsabilidade, discrição em todos os aspectos e compromisso com o trabalho a ser desenvolvido.
Existem projetos de profissionalização do Intérprete nos diferentes níveis governamentais, a maioria das universidades e instituições de ensino superior já contam com os serviços de interpretação e tradução para o atendimento da comunidade surda, embora o cargo e a remuneração ainda não sejam registrados de forma condizentes. Maiores informações sobre a profissão e suas áreas de atuação podem ser encontradas na Associação Gaúcha de Intérpretes de Língua de Sinais (AGILS) que possui uma página na internet.
Referências: PEREIRA, Maria Cristina Pires. Tradutor e Intérprete de Língua de Sinais - TILS